08/12/2011

keep walking!

Tropeçando, pulando, caindo, construindo.
Ou talvez apenas patinando, estagnando, exagerando e desistindo.
Um dia, quem sabe, um dia


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04/10/2011

please, don't.

Repetirei repetidamente as repetições do meu repertório.
Lamentarei as lamúrias lamentosas da lamentação.
Procurarei palavras confusas perdidas sem rima ou coordenação.
Afogarei as mágoas num copo de uísque barato de um bar mal frequentado na esquina da consolação.
E algum dia, talvez, compreenda o motivo de ter esta pedra no lugar do coração.

29/08/2011

self destruction

Posso cantar à vida, agradecendo pelo sol que me acorda dia após dia e me mantém de pé. Mas infelizmente não posso ignorar o fato de não ter feito nada importante, não ter sido ninguém importante, por estar no mundo apenas ocupando espaço há tanto tempo. Não quero fazer parte desta estatística torta e vagal que vive injustamente e mediocremente às custas de mesadas que não pagam nem o pão que eu mesma deveria trabalhar para conseguir.

Não ouso nem mais cantar, pois há tempos perdi a harmonia, a métrica, o rumo e a rima. Perdi o desejo, a força, a coragem, o incentivo. E junto foi-se o brilho, a esperança e os meus vinte anos. E quanto mais os dias passam, mais a realidade me sufoca. Sinto como se tivesse parado no tempo. Congelado. E de repente despertei, ainda adolescente, mas com vinte e tantos anos e nenhum juízo, nenhuma promessa de futuro. Apenas sonhos e mais sonhos desorientados em meio ao turbilhão de cobranças e impossibilidades.

Me sinto nua, espancada, largada num canto e ignorada. Me sinto cada dia mais impotente, insuficiente, desprezível. Nem eu mesma consigo me encarar no espelho e me encorajar a enfrentar minha própria sorte. Queria acordar desse pesadelo e me tornar mais forte, menos preguiçosa, mais adulta, mais desejável. Quero poder respirar calmamente com a certeza de que valeu a pena viver cada segundo do meu dia por ter feito algo útil. Mas me sinto fútil, perdida, sofrida.

Preciso de ânimo.

20/06/2011

Estilhaços

Lá vou eu de novo procurar pelos estilhaços de mim mesma que se espalharam pela terra novamente.

Mas, depois de tanto tempo, já me faltam tantos pedaços perdidos que não sei se o que sobrou pode adquirir alguma forma concreta.

Se encontrarem pedaços de mim pelo chão, aprecio a devolução. Só não garanto recompensa.

a morte da fênix

Sou agora um pouco menos do que eu era.
Tento acreditar que posso ser mais, mas vejo apenas pedaços do que eu gostaria de ser.
Quem me dera ser o bastante para ser amada, ser escolhida, admirada.
Sou um pouco menos a cada instante que passa.

Quero me reinventar.
Quero acreditar que algo pode mudar.
Mas neste momento sou apenas angústia, tristeza, somente o resto do que foi usado.

Dói demais ser insignificante.

19/06/2011

I am falling

Maybe I'm just being selfish.
Maybe I'm just being human.
Maybe I'm just being left behind.

I am just being stupid.

01/06/2011

Me dê motivos...

Meus picos criativos estão diretamente relacionados aos meus distúrbios emocionais.

No momento eu poderia me forçar a criar algo baseado em atividades alucinadas dos meus neurônios. Mas não seria nada muito coerente, nem poético nem emocionante.

Quando minhas emoções estão embaralhadas eu não consigo definir a criação.

Saem apenas rabiscos. Talvez algumas cores ou poucas frases impactantes no meio da incerteza.

Quero fortes emoções. Quero criar. Quero enterrar meu coração.

26/05/2011

Quanto tempo dura um sorriso?

Quem me dera ter o coração tão mole ao ponto de conseguir enumerar e saborear todas as cores que se refletem segundo após segundo no decorrer do meu caminhar.
No entanto, apavoradamente, produzo litros e mais litros de ácido que, por alguma razão psico-química, acabam indo parar no meu coração e transformado as flores, as cores e os amores em um grande e viscoso nó tráqueo-faríngeo.
Decididamente, largarei os jogos e os cabos-de-guerra. Lembrar-me-ei das frases derrotadas e piegas, tais como "as coisas que amo, deixo-as livres para que, se voltarem, foi porque as conquistei e não porque as possuí".
Não quero possuir, quero apenas conquistar.
Prefiro viver e ser lembrada a morrer e ser esquecida.
Tenho ciência de que um dia tornar-me-ei mais conexa e menos difusa.

17/05/2011

Just hold me in your arms

Preciso colocar os pés no chão e continuar minha vida, porque me alimentar de contos-de-fadas não me manterá viva por muito tempo.

Vou tirar esse sorriso bobo da cara e da próxima vez, vou transparecer segurança.

25/03/2011

Delusions

Can you tell me how many dreams come true?
And how long they can be alive?
'Cause I'm not able to believe
in whole life dreams anymore.

They just stole my dreams
And there's nothing I can rhyme.
I'm feeling like an unpainted picture
My eyes can't stop to cry.

They just stole my dreams
Can somebody tell me how
can I get those dreams back
to complete who I am now?

I have no harmony
Just can't write a perfect song
But I'm feeling the ground and keep running around
just to learn how to fly away.

I just wanna fly away!
Learn how to sing it again
I am losing again...
I know I am the blame.

I've lost the music
When I played the game.
And it's over.

21/03/2011

Querido diário...

Por que nada mais me surpreende? Me rotulam "insensível" e de fato o sou. Nada me desperta os sentimentos, nem a pulsação.
Seria isto falta ou excesso de sentimentos? Será que o fato de eu não me comover ou interessar por emoções é porque estou a ponto de transbordá-las? Ou será que é um bloqueio racional e proposital para não sofrer desilusões? De qualquer forma, não pareço despertar nada em ninguém assim como nada nem ninguém despertam algo em mim. Vou continuar apenas me dedicando ao meu intelecto e ao meu futuro profissional e deixar que o mundo gire lá fora e tome conta do que é seu. Não posso lidar com algo maior do que eu.

08/03/2011

Pode pegar a goiaba

Deparei-me hoje com duas chamas de alegria correndo escada acima. Ao receber um simpático e comprido "oi", um sorriso preencheu o meu rosto e os poucos três ou quatro segundos que as fitei pareceram-me como décadas atrás nesta mesma velha e dacaída casa que na época era realmente um lar.

Como era bom acordar de manhã e ir para a escola contemplando o perfeito jardim que minha mãe cultivava dia após dia com suas mãos e enxada. Nas horas livres, sentar-me à escada para simplesmente sentir a brisa e ouvir os passarinhos, ou admirar as flores e frutos que aqui cresciam era tudo que me importava na vida. Não havia tribulações nem discórdia aparente. Éramos simplesmente uma família. A melhor família.

Os anos passaram e todos os terremotos espirituais atingiram não apenas a casa, mas a família toda. A nostalgia não consegue sozinha trazer devolta a alegria de viver aqui ou de encontrar alguma maneira de juntar todas as penas do travesseiro que foram espalhadas, ano após ano, pelo mundo. Por mais que a maioria se esforce em manter-se unida, não podemos lutar contra a ganância e a traição que nos assolam. Espero um dia poder apenas me preocupar em colher goiabas maduras novamente.