25/01/2009

Me-sustenido-susteniendo-Me

- Preciso encontrar duas harmonias novas.

- Acho que também preciso de uma harmonia nova.

- Tá fazendo uma música?

- Não, to fazendo uma metáfora.

Estranho... porque não entendo nada de harmonia. Nem sei como encontrar uma harmonia, nem o que é uma harmonia. Harmoniza-me!

19/01/2009

Torpe e o sentido que ninguém enxergou

O que há por trás do torpe? Algo que, naqueles dias, ninguém se quer sonhava, mas que eu sentia a cada pulso do meu coração. Nada desesperador, apenas envolvente, incoerente, desconexo, inesperado e provavelmente impossível.

E fui entorpecendo e sendo entorpecida. Mais entorpecida que entorpecente, não sabia o que poderia acontecer depois de tanto tempo, depois de tanto contato ou a falta dele.

Aquelas frases todas ecoam em mim e desconheço o efeito que qualquer uma delas possa ter causado. Palavras provavelmente incompreendidas e esquecidas pela falta de compreensão ou envolvimento. Palavras transformadas em arquivo, mas que me acompanham em cada noite de loucura e em cada dia de ansiedade.

Sei que as palavras causam efeitos, nem sempre imediato, nem sempre positivo, nem sempre duradouro. Quero o efeito das minhas palavras refletido naquelas superfícies. Aquelas superfícies... aquelas superfícies...

E vejo agora que mais palavras uniram-se
às que outrora já estavam esquecidas. Inclusive ao torpe que aquelas superfícies me causaram.

13/01/2009

No meio da pedra tinha um caminho

Eu costumava viver uma vida de pedra. Rolando conforme a chuva ou os pés me fizessem rolar, sentindo que tudo ao meu redor me afetava de alguma maneira. Tinha a plena certeza de ser uma pedra como outra qualquer, sem valor, de forma estranha e que nem ao menos serviria para ajudar a ensinar um pouco mais sobre pedras preciosas.

Nessa minha jornada de pedra, alguém um dia me encontrou, já desgastada pelas ações do meio, quebrada, trincada, sem polimento algum. Alguém que me fez ver que eu não era uma simples pedra. Era parte de um magnífico corpo celeste que, tinha poderes magníficos e que transformava loucamente apenas pela minha presença. Uma pedra a ser lapidada.

E eu me transformei ao ouvir todas aquelas palavras. Todas as frases magníficas que me eram proferidas. E foi assim que descobri que poderia ensinar muito mais sobre pedras preciosas a quem não soubesse muito sobre o assunto. Fui ensinando e me maravilhando ao ensinar através daquelas palavras.

Inicialmente, tomei suas palavras como certas e tentei provar que tudo aquilo realmente era verdade. Mas, com o tempo, eu não absorvia nem ao menos a luz do sol por passar tanto tempo presa a seu bolso, pois pensava o forasteiro que não é muito honroso carregar uma pedra como essa nos dias de hoje. E, aos poucos, fui tornando-me fria e percebendo que não havia nada de precioso nem de celestial em mim. Fui querendo escapar, desaparecer, virar poeira astral.

Foi quando ele veio em minha direção e eu simplesmente pedi, de modo que tudo continuasse bem, que ele me jogasse no lago. Ali ninguém notaria minhas lágrimas em meio a tanta água. E ele olhou para mim sem saber o que fazer.