10/12/2008

No meio do caminho tinha uma pedra

Encontrei uma pedra e contei a ela que ela não era apenas uma simples pedra. Era parte de um magnífico corpo celeste que apareceu em meu caminho. Que tinha poderes magníficos e que me transformava loucamente apenas pela sua presença.

Sabia eu que aquela pedra era apenas uma pedra, sem valor, de forma estranha e que serviria apenas para me ajudar a aprender um pouco mais sobre pedras preciosas. Quem sabe ela, acreditando em minhas palavras, transformaria-me em um especialista em pedras preciosas e magníficos corpos celestes. Mas não era isso que ela precisava saber. Ela só deveria acreditar que poderia ser muito mais do que uma simples pedra, assim eu me tornaria maior.

Sei que, inicialmente, ela tomou minhas palavras como certas e tentou me provar que realmente tudo aquilo era verdade. Mas, com o tempo, senti que ela não absorvia nem ao menos a luz do sol, pois passava tanto tempo em meu bolso pelo meu medo de que alguém pudesse perceber que eu estava carregando uma pedra. Em dias como esses, não é muito honroso caminhar ao lado de uma pedra ou simplesmente levá-la consigo. Pedras têm funções específicas e essa certamente não poderia me enobrecer ao lado dos demais.

Certo dia deparei-me com a pedra que me pediu carinhosamente que eu a lançasse no lago, pois sabia que sua função de me ensinar a ser grande já havia acabado. No lago, como ela me disse, ninguém notaria suas lágrimas em meio a tanta água. E eu olhei para ela sem saber o que fazer.

12/11/2008

A new day has come!

E o gelo vai derretendo, vai fervendo, evaporando.
E as bolhas de felicidade me prendendo, me salvando.
Gosto de gelo derretido em mais um Cuba Libre amanhecido
E a garantia da continuidade, da felicidade, da encenação.

Derramo-me completamente, esquecendo-me da ingratidão.
Sou muito mais que ontem e bem menos do que eu demonstrei.
Enquanto eu brilho, cresço, desenvolvo
Outros param, mordem, se entorpecem.

Ligações, canções, bolhas-de-sabão.
Um motivo a mais para me esquecer da inquietação.

Sou muito mais que ontem, muito menos que amanhã.
Muito mais do que podes suportar,
Muito mais do que encontrarás.
Sou a melhor!

07/11/2008

Torpe

Me procura sem motivo aparente e faz tempestade em copo d'água.
Me apavora, me enlouquece e me envolve numa suposta pretensão.
Me instiga, me irrita, inventa motivos para pensar que pode ser
E depois me alucina parecendo dizer não. Foge.

Passa dias, noites, horas ao meu lado
E me conforta, me acalma, me anima, me faz rir.
Depois desaparece, me esquece, me critica, me entorpece. Confunde.

Se declara, me rejeita, me difama, me orienta
E eu, gramaticalmente incorreta, continuo incoerente, desconexa, envolvida. Adolescente.

Te procuro em tudo, em todos. Não te encontro, não sei quem és.
Imagino, insistentemente, minha vida envolvida, vivida, enrolada nos teus braços, nos teus olhos.
Em filmes, músicas, pássaros e copos de wisky barato me entretenho, me esqueço, me afogo.
Um, dois, três, quatro modos de loucura. Às vezes cinco, muito gelo e um gole. Entorpece.

04/11/2008

Found by me

Por mais que eu procure em superfícies espelhadas, cada dia torna-se mais difícil a procura pela única pessoa que pode me dizer quem sou e estabilizar meus pensamentos conturbados. A pessoa que fugiu de mim e não responde aos meus apelos silenciosos. Eu continuo clamando que seja ouvida e atendida, mas a distância continua sendo o maior empecilho.

O monumento que aprisiona o ser que pode me acalmar é intrasponível e de paredes espessas. Procuro dia após dia pelo calcanhar de Aquiles que derrube a torre e me leve até o topo do mais alto cômodo para encontrar alívio. Já consigo sentir uma certa proximidade e um resgate está prestes a ser negociado, só me resta ter em mãos o poder de vencer a negociação.

Quem me levou de mim? Como permiti que isso acontecesse? Noites longas e gélidas me encobrem enquanto eu procuro sozinha uma maneira de me abraçar, me resgatar, de sobreviver. Procuro em tantos olhos, carinhos e abraços algo que está preso em algum lugar dentro de mim. Essa mania egoísta de me preencher a partir do que sobra nos outros nunca me saciará enquanto eu não me devolver a mim mesma.

01/11/2008

Don't you know what you're doing to me

Eu contemplo a lua que desse ângulo parece maior, mais branca e mais intimidante. Se eu tivesse a chave que abre as portas desse cativeiro, correria pela noite ofuscada pelo luar. Quem sabe te encontraria sob as árvores, casualmente à minha espera, fitando um horizonte imaginário. Ficaria parada, sem dizer nada, apenas esperando um abraço, uma palavra, uma certeza. Sem me preocupar com o medo, com os outros, com o tempo, comigo mesma.

Contemplo a lua e quiçá a lua me contemple também no intuito de me ensinar uma lição, ofuscar-me lentamente para que eu desvie dela meu olhar e procure lá em baixo alguém tentando abrir a porta, encontrar a chave. Alguém sem medo dos outros, de mim, do futuro, das certezas.

Mas eu mesma não me encontro. Procuro meu reflexo em todas as formas possíveis de reflexão e me deparo com um vazio infinito que não me diz nada além das palavras presas dentro de mim. Palavras que eu continuo repetindo no meio de todas as metáforas cristalinas que envolvem minha alma. Nada de novo, nada que o mundo já não tenha ouvido, criticado, reprimido. Mesmo que eu tente sozinha, tudo isso não sai de dentro de mim. Às vezes, em momentos de torpor e embriaguez, me esqueço de tudo e vivo o mundo real, deixando de lado essa torre imaginária, tensa, dolorida.

E continuo nas reviravoltas, desunindo parágrafos, fugindo do sentido inicial do luar. Tornando-me cada vez mais repetitiva e insuportável aos meus espelhos que nada refletem. E continuo, continuo, continuo. Abraça-me.

24/10/2008

Medo de verdade

E eu que falava em liberdade e banhos de chuva. Não era tudo mentira. Não! Não era mentira, era verdade. Da maneira mais verdadeira que eu pudesse me expressar.
E eu dizia a verdade, mas continuava com medo de mim mesma. E esse medo, mesmo com incansáveis dias de chuva e liberdade, não me deixa. O medo continua, mesmo que aquela verdade tenha caído no esquecimento. O medo sempre foi lembrado.
Não escapo do medo, mas sempre consigo escapar da verdade temendo que a minha verdade me afogue por causa de tanta chuva.
Sei que mais cedo ou mais tarde tudo enjoa, não é mais novidade nem tentativa, daí passa e eu continuo aqui. Eu e o medo. Porque ele nunca me abandona e nunca me desaponta. É só o medo e ponto. O medo com sua mais sensata forma de me dominar, por mais que eu queira fugir e aproveitar a chuva e o mundo de verdade.
Mas sempre foi melhor assim. Ele me ensinou que, se eu não pego chuva, não fico doente. Porque cada vez que adoeço novamente, a recuperação torna-se mais difícil. Até chegar o dia que eu já não terei mais condições de me recuperar.
Então, apesar de tudo ter sido e tudo ser verdade, o medo sempre tem a última palavra.

14/10/2008

She's gone

Da série "velharias do meu blog antigo" (também conhecida como "I don't speak english very well"):
She's gone (19/07/2005)
well now she’s gone
would you hold me tight
and say what you tried to do last night?
I know this is not a game of love
It’s my life that I can’t stop

if I say I’m sorry
would she understand?
and if I say don’t worry
would you hold my hand?

maybe it’s only a confusion
maybe I’ve made a big mistake
I don’t want to be the one who breake a heart again

so would you come with me?
would she tell you this is the way it’s gonna be
I just want to sleep, dream of you and wake up in your arms
so would you come wit me?
would you tell me that I´m not wrong again
and say to me the things I wanna hear

I know it’s seems just crazy things
and I know that I can’t love
but I don’t know why when I look in your eyes
I feel the things going on

someone tell me why
no one can look in my eyes
why my heart is a big block of ice
someone tell me how
things can be better now
help me open my life

the only thing I ever wanted was someone to love me back
cause no one never loved me back
there’s someone in this world able to place my soul??

well now I’m going
would you hold me tight
and say I don’t have to cry this night
cause some one new will come to place my heart

I’m afraid of love...
I’m afraid of touch...
I’m afraid of me...

01/10/2008

I don't speak english...

Andei fuçando meu antigo blog e encontrei coisas...

what do you think when you see me?
what will you do in the end?
what will i do if you come back?
what will we do if they follow us?

so come back and follow me.
take my hand and say to me
that you always think about me.
so come on and stay with me
in the dark the light we´ll see
and no one else will ever break me down
´cause in my mind is like you´re with me now...

i´m walking on the street
i´m thinking of you now
i remember what you said
but you didn´t do that way.
what happened that day?
what happened with you?
you are so affraid of me...
and i´m crazy now for you...

(by Lilah - 17/08/05)

29/09/2008

Diz que sim...

E qual seria, então, o maior desejo além do fato de ser desejada?
A maior decepção se não a de ter sido esquecida?
Coisas acontecem todos os dias, muitas delas abalam a alma profundamente e jamais essas feridas serão cicatrizadas. Mas nesse momento o que mais pode doer no coração é unica e exclusivamente essa lembrança. Mais uma vez rejeição.
Queria poder igualar meus sentimentos aos de alguém ao menos uma vez. Saber que os beijos e abraços vêm na mesma intensidade que eu os libero de mim. A chuva, o frio, a noite sempre me fazendo pensar que poderia ser diferente. Será que pode mesmo ser diferente?
Ah quanto conflito, quanta inquietação! Quantas perguntas que eu nunca me fiz, quantas eu evitei fazer. A torre ali sendo construída sobre lágrimas e eu continuando minha vida em cima dela na esperança de alguém encontrar uma maneira ou apenas a vontade de adentrá-la. Será que alguém sente realmente vontade de realizar tal façanha? Será que, realmente, é de tão difícil acesso? Alguém poderia mudar tudo isso e me mostrar que consigo despertar sentimentos.
Sem mais para o momento..

19/09/2008

As manchas de vinho no meu vestido...

A sensação de que algo me foi tirado ainda não deixou minha alma. Talvez seja apenas orgulho ferido em saber que não tenho para onde correr nem como me aquecer numa noite chuvosa e friorenta. Mas no fundo mesmo é a sensação de perda instantânea. Foi de repente! Como uma chuva rápida de verão no instante que você pendurou a última peça de roupa no varal. Algo que me abalou intensamente, me deixou sem chão. Não queria estar ainda falando e pensando nisso, pois sei que apenas eu me sinto assim. Mas tento colocar para fora os espinhos que engoli para ver se a sensação apavorante diminui.

Tudo é frio, tudo é lágrima. Nenhum sorriso parece realmente me confortar e nenhuma palavra me abraça da maneira que eu nunca mais serei abraçada. Saber que continuarei esperando como uma criança tola que acredita quando seu pai lhe diz que um dia ela conhecerá a Disneylandia. Isso jamais acontecerá. Se o caso fosse, mil anos seriam a minha espera inútil. Mil anos de silêncio e solidão por saber que meus beijos e abraços jamais fizeram a diferença que eu acreditava fazer, jamais causaram o impacto que eu acreditava causar. Meu mundo de marshmallow derreteu defronte minha torre magnífica, que sempre soube não ser tão magnífica assim.

Daquele livro eu jamais saberei o final e dos teu ohos eu não lembrarei mais da cor, pois sei que eles não me procurarão mais. Daquele vinho não poderei mais sentir o sabor nem calcular por quantos anos ele poderia ficar na minha adega enquanto eu simplesmente o admirava.

Triste é a sensação que me adormece. Quão tola sou! Nem no espelho consigo mais me olhar. E pensar que já senti o mesmo anteriormente e alguém me fez acreditar que seria diferente. E eu simplesmente acreditei. De novo.

E agora, quem mais se habilita a me enganar?!

18/09/2008

Metafísica

Os anos passam, mas certas coisas não mudam. Vejo as mesmas histórias serem repetidas pejorativamente através das mesmas bocas, respingando venenos cada vez mais viscosos e elaborados sobre assuntos do passado. Nessas horas eu olho ao meu redor e percebo que muitas outras pessoas têm a mesma sensação que eu e estão no mesmo barco que eu.

Quem vive de passado é museu e sei que algumas das coisas que eu quero do passado são as amizades que eu mantive e conquistei ao longo desses anos. Amigos de longas datas e que sofrem pelos mesmos princípios, se fortalecem e conseguem atravessar esses momentos difíceis juntos, enquanto a multidão de víboras peçonhentas dança ao som de uma melodia estridente de pessoas que não sabem o valor de uma verdadeira amizade e que se atacam no mesmo instante que o, até então amigo, vira as costas e volta pra casa.

Nessas horas eu me sinto mais forte, melhor, vencedora. Tenho a alegria de ver meus amigos de verdade continuando na minha vida apesar de todas as intrigas e confusões que foram atravessadas em nossos caminhos ao longo dos anos.

Quero, então, dizer aos meus amigos que eu agradeço muito por tê-los comigo e espero poder conseguir transformar logo o veneno em antídoto para acabar com esse sofrimento medíocre que esse povo estúpido etá causando. Mesmo que não sejamos os mais ricos, bonitos ou que nossas fotos não sejam as melhores, nós temos algo muito mais valioso que a cambada de víboras jamais terá: AMIZADE VERDADEIRA.

fikdik

12/09/2008

sentido nenhum

Agora que estou aqui dentro consigo enxergar o que acontece lá fora. O sol, o vento, a chuva... tudo interfere na minha visão. Por entre as frestas a luz me ofusca, mas consigo sentir aos poucos o clima influenciando minha respiração. A lua nem sei se ainda existe e as flores nem sei se crescerão. Quem se fere nos acúleos de uma rosa tem medo de tocá-la novamente. Aos poucos percebo que começo a enxergar claramente o que há tanto me dava sensação de felicidade. Nada disso me parece ter sentido, deixo apenas minha mente trabalhar. Olho daqui para baixo somente por olhar, pois sei que os caminhos que bloqueei não saberão o que aconteceu, não tornarão a esperar que eu passe por eles. Simplesmente continuarão a ser caminhos sem ao menos lembrar que por ali eu passei. Eu me lembro dos caminhos que não sabem que não passo mais por eles.

09/09/2008

reflexão, impulsão, decepção

Quero me olhar no espelho e enxergar alguém melhor que eu. Quero perceber algo que eu ainda não pude notar. Quem sabe uma nova tonalidade em minha íris ou mais algumas sardas em meu nariz. Algo que chame mais atenção do que o rubro de minhas cavidades oculares e a água que corre irregularmente salgando minha face. Quero me olhar no espelho e tentar me enxergar, já que no meio de tanta confusão ninguém notou o que eu realmente sou, o que ninguém tentou levar a sério.

A visualização desse meu eu inexistente é algo utópico visto que nem eu mesma sei ao certo se existe algo que valha à pena no meio de tanta rejeição. Não quero mais esse sentimento repugnante que me transforma em rocha fria. Quero deixar de sentir, como provavelmente fazem em relação a mim. Não quero sentir. Não quero lembrem que eu senti. Quero esquecer, apagar para sempre.

A geografia nesse momento me veio à calhar. E sempre virá. Se nunca sentiram, não quero sentir também. Se não fez diferença, não quero que faça também. E se não faço falta, quero que absolutamente não me faças também!

08/09/2008

Não.

Me sinto apontada no meio da multidão. Nua e desprotegida. Como se todos tivessem a mesma sensação a meu respeito: indiferença, rejeição. Me precipitei? Me envolvi demais? Caí de um salto artístico magnífico em uma piscina de areia movediça que agora me sufoca o labirinto. Tudo se tornou absurdo ao entendimento da multidão. Tudo se questiona numa espiral infinita de confusão e raiva que se contorcem dentro de mim. Eu lutei para me recompor e tudo estava bem até então. Algo novo apareceu e tive receio, mas palavras se espalharam ao meu redor me dizendo que tudo ficaria bem.

-"Não quer tentar?"

-"Não."

Um não seco de quem nunca quis tentar, só se deixou levar pelo egoísmo e a falta de algo certo ao seu redor. Um não que me levou à entrada daquela torre e novamente me fez me sentir insignificante, incapaz, tenebrosa e impulsiva. Um não que certamente aprendi a repetir para tudo que voltar a bater em minha porta.

De volta à torre

É impressionante a maneira como a torre ganhou forma e espaço na minha vida. Lembro-me de quando ela entrou, apenas um bibelô gelado que mal cabia na palma da minha mão esquerda. Com o passar do tempo foi tomando vida e me dominando completamente até que me encontrei envolta em cristal.

Já foram tantas escapadelas da torre, tantas noites tentando subtraí-la do meu mundo. Tudo foi em vão. Noites gélidas e mal-dormidas foram aprisionando meus sentimentos e tornando-os escravos daquela cadeia cinza de carbono. E aqui estou eu novamente fechando todas as portas e apagando todos os caminhos que levam à torre. Me prevenindo com poções amargas e de brilho azulado, juntando feras para a guarda do meu paraíso cristalino. Não tenho forças para subir todas as escadas de uma só vez então, aconchego-me junto à entrada olhando de relance à silhueta de algo que passou pelos arredores e devastou meu jardim, sem plantar nenhuma flor no lugar.

07/09/2008

31/08/2008

Torre de cristal - Brainstorm

Consegui produzir mais alguma coisa do texto. Não é exatamente o que eu estava pensando como continuação, mas foi o que eu consegui arrancar da minha cabeça ontem à noite logo quando deitei e fechei os olhos.

Inicialmente eu estava tentando criar um prelúdio, então comecei a reler meus textos antigos de onde surgiu a história. Mas foi tanta "emisse" e tanto sentimento revirado que decidi continuar a história usando outros elementos. Já pensei e repensei... isso não é exatamente o que eu tinha vontade de postar, mas espero que gostem!

Subitamente uma névoa branca tomou conta do lugar. Não podia afirmar que sabia onde estava, mas tinha a sensação de conhecer o local. Havia anos que a torre se erguera, imponente como ela só. Brilhava além de todas as coisas, ofuscando e cegando quem ousasse lançar-lhe um olhar.

A medida que abria os olhos, reconhecia cada passo dado, cada frase dita, cada sonho esquecido. Suas memórias ainda eram um misto de passado e veneno que não deixavam-na refletir e firmar-se em seus próprios pés. Sentia frio e, a cada passo, parecia que tudo ia desmoronar. A torre estava instável e suas memórias em conflito.

Mas uma luz irradiava por uma fresta esquecida pelo tempo. E repentinamente o calor abraçou-a trazendo cor e vida às maçãs de seu rosto. Aquela sensação era inusitada. Como ousara sentir algo assim? Algo novo estava acontecendo. A torre previu, mas demorou para se abalar.

Esse calor apavorante trouxe novos danos à sua doce prisão. A torre derretia tal como gelo exposto à luz solar. E lá fora uma voz a chamava. Com notas amadeiradas jamais ouvidas através daquelas paredes. Uma voz nova, firme, forte e segura que causava um certo desconforto inicial, mas parecia que indicava a direção da perfeição.

Não seria tão fácil escapar. O encanto que a aprisionava era forte e antigo demais para se deixar amenizar de forma tão fugaz, mas valeria à pena. Sentia novamente o sangue quente correndo-lhe as veias e o gosto amargo feito fel saíra de sua boca levando consigo o efeito atordoante da poção. Tentaria descer as escadas e descobrir o novo.

Despiu-se do cristal e lançou-se escada abaixo e no meio do impulso sentiu um calafrio e logo em seguida foi ao chão. A torre ganhara vida, pregou-lhe uma peça. Caiu sozinha no vazio escuro ouvindo agora a distante voz que clamava por ela. Teve tempo apenas de sussurrar: "Salve-me". E novamente tudo desapareceu.

23/08/2008

Em processo criativo!

Quero agradecer a todos que passaram por aqui e leram meu conto de fadas. Estou dando continuidade, então peço um pouco de paciência!

Logo devo estar colocando aqui mais algum capítulo (?) da história!

Bom final de semana a todos e obrigada pela compreensão!

18/08/2008

Meu conto de fadas

O texto a seguir foi escrito em 9 de novembro de 2005.
na ocasião pensei em continuar a história, quem sabe um dia...

E lá estavam eles, caminhando lado a lado normalmente. Como se a noite não precisasse de nenhuma outra luz a não ser a das estrelas, como se nada além disso tivesse importância. Tudo era calmo e divertido e o pouco tempo que tinham juntos não bastava para compensar a falta. Só queria continuar ali contemplando seu olhos, deixando-se levar pelos seus olhos.

Quanto tempo se passara desde que a torre havia sido lacrada. Nada nem ninguém ousava passar perto mesmo sabendo que não haveria fera nem sentinela guardando a entrada. Havia apenas a magia do cristal e a névoa branco-perolada que dele saía. Mas, mesmo longe da torre, o medo ainda lhe causava tremores e seus músculos continuavam tensos. Seus olhos não podiam transmitir a verdade, tinham se acostumado à solidão. A única coisa que importava eram aqueles poucos minutos. Sabia o que viria depois. Tinha captado a mensagem antes mesmo que ela fosse transmitida. Não ousava perguntar.

Assim que escutasse o que estava prestes a ser dito, o encantamento ganharia mais poder. Seus atos seriam ainda mais controlados pela torre e suas palavras teriam que ser lacradas para sempre. Não queria carregar a culpa novamente consigo. Apenas encarou-o diretamente nos olhos e esperou que seus lábios proferissem frases feitas e mortais. Ouviu e não falou mais nada, nem sentiu mais nada. Fitou-o como quem se esquiva do perigo e sorriu. Um sorriso lindo e forçado de quem gostaria de ter escutado algo diferente. Simplesmente se virou e caminhou em direção à torre de onde nunca deveria ter saído. Apenas pensava porque despertava esse tipo de sentimento nas pessoas erradas. Não queria que fosse assim.

Proferiu as palavras mágicas para entrar na torre, subiu as escadas até o terceiro andar e foi direto ao único cômodo ali existente. Procurou entre os mais variados objetos um frasco singular feito do mais puro cristal, no qual estava guardado um líquido azul de aroma enjoativo. Serviu uma taça daquele líquido e levou-o até à boca. Bebeu devagar e suas feições revelavam a amargura da poção. Se houvesse alguém por perto teria escutado o barulho do cristal se despedaçando misturado ao som do seu corpo caindo. E depois disso nada mais aconteceu. Estava em sono profundo.

15/08/2008

Psicodélise

Sentimentos são engraçados. Na verdade nem sempre eu penso assim. Quando passo por momentos difíceis não costumo achar nada engraçado.

Há dias em que me sinto péssima, tudo parece dar errado e quando menos espero, ainda por cima chove sem que eu tenha qualquer gurda-chuva para me auxiliar. Então vou dormir acreditando que nada vai ter sentido ou melhorar e voilá! Acordo feliz e o sol se engraça lá fora para os passarinhos que eu nem se quer lembrava que existiam. É um novo dia. São novos sentimentos. Novas alegrias tomaram conta de mim e tudo no momento faz sentido e começa a se encaixar. Ao mesmo tempo ainda me deparo com uma agoniante ansiedade que aos poucos se misturará com a adrenalina que já comecei a produzir por conta do final de semana, que se quer chegou!

E assim vou vivendo, sofrendo antecipadamente por coisas infantis que me deixam alucinada acreditando que não haverá solução. Mas o sol vai brilhar novamente e poderei ouvir os pássaros cantado: "bem, te vi".

Para constar: domingo minha banda se apresentará... eita ansiedade! Ganbatte sa ganbatte!

14/08/2008

Já faz um tempo...

Minha vida como vai? Meus conceitos como vão? A cada dia me deparo com mais confusão em minha mente. Pensava estar vivendo um tempo mágico e de repente meu mundo fantástico foi mergulhado em insana perturbação. Provações são bem-vindas e necessárias, mas cair de um voô lindo é doloroso e atordoante.

Me deparei hoje com uma imensidão de questionamentos irremediáveis. Coisas que nem ao menos tenho coragem de tentar encontrar uma resposta. Algo que provavelmente guardarei dentro de mim para que não gere mais e mais conflitos em tudo que cultivei. Sei, apenas, que pontes iluminadas são maravihosas para contemplar-se num passeio noturno sem volta, mas um jogo de bilhar cairia bem melhor neste momento.

Nada disso deve causar preocupação. É apenas mais um de meus desabafos desastrosos para mim mesma. Eu não costumo me ouvir muito bem...

19/07/2008

Canta comigo!

Canta que teu canto me encanta pelos cantos.

Canto tanto quanto cato tocos por impulso.

Pulsa enquanto pensa que meu pulso nao te tenta.

Tento tanto tempo que teu canto me balança.

Lança leve o vento enquanto tento outro canto.

Canta enquanto tenta e por impulso lança um toco.

Canta que teu pulso passa o tempo e me enlouquece.

OBS: essas palavras me vieram à cabeça enquanto viajava de Floripa para Balneário Camboriú ontem de noite. Eita memória interessante... esse texto me fez lembrar (somente agora que fui postar aqui) de uma musica que cantávamos no coral quando eu era pequena:

Pim Pam Pum — Oscar Torales

"Canta conta um conto que quem canta encantará
Canta comigo cam ca ra ram cam cam
Pega a pedra o pé de pato a pipa o pó e a pá
pega pintando pam pa ra ram pam pam
com as mãos de um anãozinho
mas a força de um gigantão
A resposta é sim eu sei quem sou
eu sei pra onde ir
eu vou te ver quando o dia surgir
eu sei quem sou eu tenho pra onde ir
eu vou te ver bom dia
Bate bem a bola bate bem o bumbo ba ta plam
Brinca brilhando bam ba ra ram bam bam
Tenta tocar tudo tendo tudo pra tentar
tenta tocando tam ta ra ram tam tam
com as mãos de um anãozinho
mas com a força de um gigantão
A resposta é sim eu sei quem sou
eu sei ond'ir vou te ver quando
sim eu sei quem sou tenh'on d'ir
eu vou te ver bom dia bom dia bom
Bom dia Bom dia Dia bom
Bom dia"

Bom dia a todos!!

16/07/2008

Simplesmente azul

Olhar ao meu redor e perceber como tenho sorte me deixa cada vez mais perplexa. Sinto as estrelas borbulhando na minha garganta e um doce gostinho de grosélia se espalha pelo meu coração.
Dia após dia o mundo gira muito mais psicodélico e essa insanidade circense me envolve criando uma atmosfera mágica que me ilumina da cabeça aos pés. São os milagres corriqueiros que muitas pessoas não param para apreciar e deixam escapar aos olhos as dádivas com as quais são contempladas.
Quero aproveitar esses presentes divinos e fazer o máximo para responder à altura. Não podemos simplesmente ganhar maravilhas gratuitamente para depois usá-las sem ao menos triplicar seu valor. Os céus nos mandam chuvas ultra-violetas devemos irradiá-las pelo planeta.
E é caminhando por entre as nuvens de alegria que percebo a cada novo dia que não serei abandonada!

10/07/2008

Como faz?

E agora, como faz?

Para seguir em frente e viver novamente com a mesma intensidade? Como faz para sair da loucura e encarar cada novo passo de maneira que a paixão e a insanidade não se choquem contra a necessidade.

Como faz para esquecer pensamentos sem nexo de coisas que nem existem e que muita gente deve ter tentado fazê-las existir para tentar entender seus medos?

Um dia a chuva cai, molha tudo e de repente o sol se revolta e seca tudo! E poças d'água não mais nos encomodarão! Nem quando pipocas pularem sozinhas de cima de uma mesa para perto do controle da TV!!

Como faz, amigos?! Me explica como faz!

03/07/2008

Cinco macaquinhos pulavam na cama

Deparo-me sempre com uma necessidade catastrófica de causar efeito e parecer satisfatória. E essa necessidade acompanha-me em cada minúsculo momento da minha, até então, existência. A cada ação que tomo espero que se cumpra aquela máxima e que qualquer um me retribua com alguma reação.

E assim vivo numa agonia constante que me sufoca o tempo todo por querer saber se posso me desprender da insegurança e dar um passo a frente, sabendo que serei sustentada. Palavras que não vem, ações que não são tomadas, insucessos, dúvidas e mais palavras que deixo espalhadas para que alguém note, perceba, duvide, aponte, negue ou simplesmente confirme e me sustente.

Dias longos estão terminando e começo a me aproximar de dias corridos e sufocantes que podem me tornar algo completamente diferente do que eu vejo constantemente nos espelhos que encontro. Nesses dias espero não passar frio, espero ser notada e espero ser amparada com segurança.

E você, o que espera?

02/07/2008

Liquid Crystal Display

Ah! Sorte minha não usar psicotrópicos e outros doces alucinógenos! Estaria, nesse momento, estabacada no chão com um punhado de grama entre os dentes. E tudo isso por saber o exato momento de apertar o cinto de segurança enquanto contemplava as nuvens mais brancas do que branco que formavam paisagens alvas sob as asas do avião!

E como desejei passear por entre aquela paisagem. Como quis entrar naquelas cavernas iluminadas e alcançar aquele horizonte lindo e branco! Mas eu estava sã, enquanto a adrenalina me subia à cabeça. Realmente me segurei.

Sorte não ter sentado ao lado de nenhuma saída de emergência, pois me bateu uma imensa e insana vontade de me jogar e sair correndo por entre as nuvens, algo que certamente não iria acontecer. Mas mesmo assim tive muita vontade. Me sentia como uma criança que experimenta pela primeira vez essa sensação e cutuca a mãe, que senta ao lado, gritando loucamente: "Mãe! Mãe! Olha lá, carneirinhos!" Porém, já sabia eu que não eram carneirinhos! Era o paraíso. Definitivamente algo esta invisível em cima das nuvens e quando eu deixar o plano físico correrei loucamente por entre a paisagem branca que se formou sob meu avião.

Doce ilusão!

28/06/2008

à moda de 73

Estranhamente me deparo com essa luz branca que bloqueia meu raciocínio lógico. Lógico que não tenho o hábito de usá-lo, mas seria muito útil nesse momento desesperador ao qual me fiz chegar.

Eu ainda não tenho 25 anos, mas tenho quase isso também de sonhos, sangue e, coincidentemente, de América do Sul e nesse plágio barato de Blechior apenas digo que não preciso nem de um tango argentino e muito menos de um blues. Não me encontro em desespero e nao pretendo lançar nenhuma praga em ninguém. Estou apenas dando uma de um amigo meu aí que soube bem o que fazer com as palavras que me faltam no momento.

Depois de me enrolar em lençóis literários, confesso que a apreensão me corroeu e muitas coisas sobrevoaram meus anseios me deixando pensativa e me corroendo feito ácido clorídrico. Mas continuo a pensar que mesmo me deparando com inúmeros motivos para desviar meu olhar continuarei acreditando que tudo está inserido numa nova fase, desenhada desde o princípio sobre meu viver!