12/11/2008

A new day has come!

E o gelo vai derretendo, vai fervendo, evaporando.
E as bolhas de felicidade me prendendo, me salvando.
Gosto de gelo derretido em mais um Cuba Libre amanhecido
E a garantia da continuidade, da felicidade, da encenação.

Derramo-me completamente, esquecendo-me da ingratidão.
Sou muito mais que ontem e bem menos do que eu demonstrei.
Enquanto eu brilho, cresço, desenvolvo
Outros param, mordem, se entorpecem.

Ligações, canções, bolhas-de-sabão.
Um motivo a mais para me esquecer da inquietação.

Sou muito mais que ontem, muito menos que amanhã.
Muito mais do que podes suportar,
Muito mais do que encontrarás.
Sou a melhor!

07/11/2008

Torpe

Me procura sem motivo aparente e faz tempestade em copo d'água.
Me apavora, me enlouquece e me envolve numa suposta pretensão.
Me instiga, me irrita, inventa motivos para pensar que pode ser
E depois me alucina parecendo dizer não. Foge.

Passa dias, noites, horas ao meu lado
E me conforta, me acalma, me anima, me faz rir.
Depois desaparece, me esquece, me critica, me entorpece. Confunde.

Se declara, me rejeita, me difama, me orienta
E eu, gramaticalmente incorreta, continuo incoerente, desconexa, envolvida. Adolescente.

Te procuro em tudo, em todos. Não te encontro, não sei quem és.
Imagino, insistentemente, minha vida envolvida, vivida, enrolada nos teus braços, nos teus olhos.
Em filmes, músicas, pássaros e copos de wisky barato me entretenho, me esqueço, me afogo.
Um, dois, três, quatro modos de loucura. Às vezes cinco, muito gelo e um gole. Entorpece.

04/11/2008

Found by me

Por mais que eu procure em superfícies espelhadas, cada dia torna-se mais difícil a procura pela única pessoa que pode me dizer quem sou e estabilizar meus pensamentos conturbados. A pessoa que fugiu de mim e não responde aos meus apelos silenciosos. Eu continuo clamando que seja ouvida e atendida, mas a distância continua sendo o maior empecilho.

O monumento que aprisiona o ser que pode me acalmar é intrasponível e de paredes espessas. Procuro dia após dia pelo calcanhar de Aquiles que derrube a torre e me leve até o topo do mais alto cômodo para encontrar alívio. Já consigo sentir uma certa proximidade e um resgate está prestes a ser negociado, só me resta ter em mãos o poder de vencer a negociação.

Quem me levou de mim? Como permiti que isso acontecesse? Noites longas e gélidas me encobrem enquanto eu procuro sozinha uma maneira de me abraçar, me resgatar, de sobreviver. Procuro em tantos olhos, carinhos e abraços algo que está preso em algum lugar dentro de mim. Essa mania egoísta de me preencher a partir do que sobra nos outros nunca me saciará enquanto eu não me devolver a mim mesma.

01/11/2008

Don't you know what you're doing to me

Eu contemplo a lua que desse ângulo parece maior, mais branca e mais intimidante. Se eu tivesse a chave que abre as portas desse cativeiro, correria pela noite ofuscada pelo luar. Quem sabe te encontraria sob as árvores, casualmente à minha espera, fitando um horizonte imaginário. Ficaria parada, sem dizer nada, apenas esperando um abraço, uma palavra, uma certeza. Sem me preocupar com o medo, com os outros, com o tempo, comigo mesma.

Contemplo a lua e quiçá a lua me contemple também no intuito de me ensinar uma lição, ofuscar-me lentamente para que eu desvie dela meu olhar e procure lá em baixo alguém tentando abrir a porta, encontrar a chave. Alguém sem medo dos outros, de mim, do futuro, das certezas.

Mas eu mesma não me encontro. Procuro meu reflexo em todas as formas possíveis de reflexão e me deparo com um vazio infinito que não me diz nada além das palavras presas dentro de mim. Palavras que eu continuo repetindo no meio de todas as metáforas cristalinas que envolvem minha alma. Nada de novo, nada que o mundo já não tenha ouvido, criticado, reprimido. Mesmo que eu tente sozinha, tudo isso não sai de dentro de mim. Às vezes, em momentos de torpor e embriaguez, me esqueço de tudo e vivo o mundo real, deixando de lado essa torre imaginária, tensa, dolorida.

E continuo nas reviravoltas, desunindo parágrafos, fugindo do sentido inicial do luar. Tornando-me cada vez mais repetitiva e insuportável aos meus espelhos que nada refletem. E continuo, continuo, continuo. Abraça-me.