16/04/2009

Cicatriza-me!

É que eu ainda não aprendi a me curar,
a ler e não chorar,
a perder e não perdoar.

Não aprendi a olhar nos olhos,
nem a derramar a mágoa nos primeiros cinco dias.
Geralmente guardo-a por pelo menos cinco meses.

Ainda não aprendi a não pensar no passado,
a enfrentar meu egoísmo, minhas dores.
Nem a ser mais otimista, mais competente.

Não sei nem ao menos como ser suficiente,
ou como perceber que nem tudo me diz respeito.
Que pode ser que o mundo tenha girado tantas vezes
que meu nome já foi apagado,
que meus erros foram esquecidos,
que minhas lembranças viraram névoa
evaporando-se entre milhões.

Mas mesmo assim continuo sem olhar nos olhos,
sem poder ouvir,
me retorcendo a cada aproximação.
Sentindo o desprezo vindo por cima de mim
e me esmagando contra o chão, contra o som.
Como se a qualquer momento fosse dar o bote certeiro
que me colocará em prantos, em tremores, em calafrios.

Quero regurgitar tudo isso enquanto há tempo,
enquanto ainda posso me sentir forte, superior, desejável.
Quero transparecer em naturalidade
e não sentir-me diminuída ante olhares desgostosos.

Quero apagar tudo da minha mente
como se esses caminhos nunca tivessem se cruzado.
Não quero atrapalhar minha concentração, minha performance, minha astúcia.

Quero caber em um abraço
para esquecer que não aprendi a me curar.
Quero caber em um abraço
para tirar o gosto do fel que espalha-se pela minha garganta cada vez que venho aqui.
Quero caber em um abraço...
Quero aprender a me curar...

08/04/2009

colours don't hug

Eu vi, eu vi toda aquela insegurança refletindo-se a cada passo que davas em direção à tempestade de corpos e rostos indiferentes aos teus sentimentos. Aquela multidão perdida em meio às cores que teus olhos procuravam, dançando a cada passo torto e indefinido que davas em direção ao temporal.

Teus olhos abrindo e fechando imperceptivelmente em busca de algo que naquele caminho nunca encontrarás. E mesmo assim a insegurança te consome e agarra-se às tuas costas arcadas e disfarçadas sob o azul de tua blusa.

Te cobres com cores distintas para refletir algo à multidão. Porém tuas cores não combinam, pois sabem que ao contrário do que vestes, não é de azul, roxo e rosa que precisas. Precisas de segurança, de apoio, de sustento.

Cores não poderão tirar-te o peso das costas, cores não irão te abraçar, cores não serão suficiente, assim como tu não és. Cores devem vir de dentro. Cobrir-se de cores não te deixará mais segura.

Eu vi toda aquela insegurança que derramavas por todo aquele caminho que nunca te trouxe o que esperavas.

05/04/2009

insuficiência...

Queria apenas ser suficiente.
Suficiente pra surpreender, encantar, atrair, despertar atenção.
Suficiente pra caber em um abraço, um sorriso, um carinho...
Suficiente pra não ser reprovada, desmerecida, esquecida.
Suficiente para caber em um abraço, um sorriso, um coração;
Para despertar lembranças, vontades, atenção.
Suficiente para caber em um abraço, um sorriso, uma tarde.
Suficiente para lembrar uma canção, para ter poder, para conquistar
E para caber em um abraço, um sorriso, uma semana.
Só queria ser suficiente...