15/12/2010

Undertow

A música em looping dava uma sensação de amparo, de alívio, de desprendimento. Como se, ao ouvir repetidamente aqueles versos, ultrapassasse todas as barreiras de espaço tempo, indo parar em uma nova dimensão. Absorvia a música tal qual radiação solar e nada mais importava. Só queria que os versos fossem absorvidos cada vez mais pelos seus poros. Podia até deixar de pensar em qualquer outra coisa que não fosse parte da composição. Não havia mais nada a fazer naquele momento, então entregou-se àqueles versos, que foram correndo em suas veias como se estivessem coordenados ao sangue.
Buscou as respostas, encontrou a saída e voou esperando que não despencasse ao chão feito um Ícaro sonhador. Porém, correu em direção ao sol, já que aqueles versos todos proviam dele.
Desapareceu na noite.

07/12/2010

O futuro já começou

A cada passo que dou em direção ao futuro, percebo que ele está cada vez mais embaçado. Tropeço em tantas pedras e obstáculos que o futuro, apesar de estar tão próximo ao meu caminhar, me parece cada dia mais incerto, distante e decadente.
Não ouso nem mais sonhar, pois meu presente turbulento não me dá nenhuma estabilidade ou prospecção de um futuro brilhante. É apenas um futuro. Só mais um futuro no meio de tantos outros futuros insignificantes. É como uma reação em equilíbrio, mesmo com coisas muito boas ou coisas muito ruins, ela sempre volta ao equilíbrio, ou seja, volta mediocramente ao equilíbrio estagnado. E o futuro? É aquela névoa embaçada frente aos meus olhos, cheio de abismos e tropeços. Um futuro incerto, porém, em equilíbrio com meu presente dramático.

25/11/2010

Isto pode não ser poético

Lembro-me que, às vésperas de uma entrevista de emprego, além do normal nervosismo em tentar ser aceita, acompanhava-me a sempre presente dúvida "o que vestir?". À primeira vista soa como futilidade, mas creia, não é. A dúvida foi sempre em relação "o que devo aparentar" e não "togatabjsmeliga". Todos os seus gestos e falas contam muito na hora de uma entrevista e a roupa que você vesta pode dizer muito sobre você. E esse é o ponto.

Desde novinha sempre me arrumei com saltos e calças sociais, uma blusa não tão corriqueira, sem ter cara de quem quem saiu da academia agora ou vai direto pra balada. E foi assim, desde sempre até então. Ultimamente, talvez muito tarde, me dei conta de que eu preciso apenas me sentir confortável e à vontade e que isso é o que vai falar por mim. A roupa social, a não ser que o evento peça, não podia falar muito por mim a não ser o fato de que eu me sentia muito mais insegura vestido qualquer coisa que não fosse o meu dia-a-dia.

Talvez hoje, ou apenas neste momento, eu sou uma pessoa mais segura e feliz por ter me dado conta de que a minha segurança (voilá) obviamente está em ser o que eu sou. Parece tão óbvio, mas pode ser que nem todos tenham se dado conta de que o importante é ser quem você é, seja quem for.

16/11/2010

ERROR 10060 = Connection timed out

I can't find a way out
Cause we are so disconnected.
I can't even find the words
Cause I'm tasting my own poison

And it' hurts me so deep
It's burning inside
And even the rain
Can relieve this now

But if we're that disconnected
Why should I care?
I'll just run from the facts
I'll do my way out

Cause we're so disconnected
And it wasn't expected

23/09/2010

Muito riso, pouco siso.

Num dia de chuva e acordes tristes, de cores pálidas e versos trêmulos, não sabia bem ao certo o que fazia ali pensando naquelas mesmas idéias repetidas ao longo dos anos. E quantos anos. Muitos. Um quarto de século pelo menos. Quanto tempo desperdiçado, quantas coisas incompletas, quantos sonhos surreais de uma vida que nunca lhe pertenceu.

Tentava por horas concentrar suas forças em algum resquício de inteligência e moral que ainda pudessem restar, mas nada parecia funcionar. Entre um soluço e outro solubilizava dores, defeitos, tragédias e delírios tentando encobrir sua falta de capacidade de domar sua vida ou aceitar os fatos como eles realmente são.

Sempre perdeu seu tempo, e de quem lhe desse conversa, inventando motivos para tanta tristeza e desilusão. Até certo ponto parecia coerente, porém em algum momento todos percebiam que não passava de uma criança descontrolada tentando evitar ao máximo crescer e sair de baixo da saia da mãe.

Naquele instante, aceitar o fato de que sua vida estava acabada não iria contornar a situação. Talvez soubesse disso e tentasse se agarrar às lições que sua mãe lhe ensinava dia após dia, mas o medo e a sensação de insuficiência e derrota eram bem maiores.

Pedia uma corda, uma pedra, uma ponte, um copo ou qualquer coisa que fizesse esquecer. E pelo visto nada que lhe faça criar vergonha na cara.

25/03/2010

18/01/2010

Delineia-me

Tinha plena consciência
de que as frases entoadas por sua boca
não lhe diziam respeito.

Mas continuava ao lado dele
desejando, um dia,
poder ser desenhada em meio àquelas frases feitas.

Passar do plano físico ao sentimental.