15/12/2010

Undertow

A música em looping dava uma sensação de amparo, de alívio, de desprendimento. Como se, ao ouvir repetidamente aqueles versos, ultrapassasse todas as barreiras de espaço tempo, indo parar em uma nova dimensão. Absorvia a música tal qual radiação solar e nada mais importava. Só queria que os versos fossem absorvidos cada vez mais pelos seus poros. Podia até deixar de pensar em qualquer outra coisa que não fosse parte da composição. Não havia mais nada a fazer naquele momento, então entregou-se àqueles versos, que foram correndo em suas veias como se estivessem coordenados ao sangue.
Buscou as respostas, encontrou a saída e voou esperando que não despencasse ao chão feito um Ícaro sonhador. Porém, correu em direção ao sol, já que aqueles versos todos proviam dele.
Desapareceu na noite.

07/12/2010

O futuro já começou

A cada passo que dou em direção ao futuro, percebo que ele está cada vez mais embaçado. Tropeço em tantas pedras e obstáculos que o futuro, apesar de estar tão próximo ao meu caminhar, me parece cada dia mais incerto, distante e decadente.
Não ouso nem mais sonhar, pois meu presente turbulento não me dá nenhuma estabilidade ou prospecção de um futuro brilhante. É apenas um futuro. Só mais um futuro no meio de tantos outros futuros insignificantes. É como uma reação em equilíbrio, mesmo com coisas muito boas ou coisas muito ruins, ela sempre volta ao equilíbrio, ou seja, volta mediocramente ao equilíbrio estagnado. E o futuro? É aquela névoa embaçada frente aos meus olhos, cheio de abismos e tropeços. Um futuro incerto, porém, em equilíbrio com meu presente dramático.