23/09/2010

Muito riso, pouco siso.

Num dia de chuva e acordes tristes, de cores pálidas e versos trêmulos, não sabia bem ao certo o que fazia ali pensando naquelas mesmas idéias repetidas ao longo dos anos. E quantos anos. Muitos. Um quarto de século pelo menos. Quanto tempo desperdiçado, quantas coisas incompletas, quantos sonhos surreais de uma vida que nunca lhe pertenceu.

Tentava por horas concentrar suas forças em algum resquício de inteligência e moral que ainda pudessem restar, mas nada parecia funcionar. Entre um soluço e outro solubilizava dores, defeitos, tragédias e delírios tentando encobrir sua falta de capacidade de domar sua vida ou aceitar os fatos como eles realmente são.

Sempre perdeu seu tempo, e de quem lhe desse conversa, inventando motivos para tanta tristeza e desilusão. Até certo ponto parecia coerente, porém em algum momento todos percebiam que não passava de uma criança descontrolada tentando evitar ao máximo crescer e sair de baixo da saia da mãe.

Naquele instante, aceitar o fato de que sua vida estava acabada não iria contornar a situação. Talvez soubesse disso e tentasse se agarrar às lições que sua mãe lhe ensinava dia após dia, mas o medo e a sensação de insuficiência e derrota eram bem maiores.

Pedia uma corda, uma pedra, uma ponte, um copo ou qualquer coisa que fizesse esquecer. E pelo visto nada que lhe faça criar vergonha na cara.

2 comentários:

Junkie Careta disse...

Baby, essa é a coisa mais bonita, espontânea e autêntica que já vi vc colocar aqui!Gostaria de ter escrito isso.Vc está tão solta e relaxada que dá pra sentir o texto fluindo levemente.
Parabéns de verdade!

Eu passei aqui pra te falar da volta do blog Junkie Careta, onde vc já deixou um comentário há muito tempo atrás. Seu amigo retorna com o blog e te convida para dar uma checada quando tiver um tempinho e deixar o seu comentário inteligente. No post, falo sobre o ser mais maravilhoso da face da terra, segundo uma famosa publicação Inglesa e também endossada por esse anônimo blogueiro metido a colunista cultural.

Grande abraço

Geraldo Brito (Dado) disse...

Saudações e parabéns pelo blog!