15/12/2010

Undertow

A música em looping dava uma sensação de amparo, de alívio, de desprendimento. Como se, ao ouvir repetidamente aqueles versos, ultrapassasse todas as barreiras de espaço tempo, indo parar em uma nova dimensão. Absorvia a música tal qual radiação solar e nada mais importava. Só queria que os versos fossem absorvidos cada vez mais pelos seus poros. Podia até deixar de pensar em qualquer outra coisa que não fosse parte da composição. Não havia mais nada a fazer naquele momento, então entregou-se àqueles versos, que foram correndo em suas veias como se estivessem coordenados ao sangue.
Buscou as respostas, encontrou a saída e voou esperando que não despencasse ao chão feito um Ícaro sonhador. Porém, correu em direção ao sol, já que aqueles versos todos proviam dele.
Desapareceu na noite.

Um comentário:

Junkie Careta disse...

É isso aí baby, dançar pra se salvar! Tenho uma música nova falando exatamente diso.E, quando a relação com a música chega nessa cumplicidade, é porque o mundo lá fora não parece muito interesate para se relacionar com ele.Gostei da descrição da simbiose música-sentimento.Trilha sonora perfeita para o texto: Radiohead "In rainbows" ou "Screamadelica" do Primal Scream.