26/06/2012

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Desistira de abrir a janela, conferir o telefone e até mesmo de colocar os pés porta afora. Conformou-se, mesmo sem entender, em nunca ter sido agraciada com flores, vinhos, convites para jantar. A vida deveria fazer sentido mesmo para quem nunca fará par romântico com algum apaixonado qualquer. Precisava apenas resgatar a força de vontade e a dedicação para construir sua carreira a fim de tornar-se independente para poder cuidar de cinco gatos e dois cachorros, os amores mais sinceros de sua vida. 

E seguia sua rotina deprimente, fantasiosa, solitária, colocando a cafeteira para rodar dia após dia com apenas uma xícara de café e o sabor amargo da angústia de não ser boa o suficiente para qualquer coisa.

Sabia quase nada de quase tudo e nada disso algum dia foi o suficiente para tomar um rumo na vida. Mas mesmo com toda insatisfação corroendo-lhe o estômago e arranhando-lhe a garganta continuou tentando sorrir para todos, todos os dias esperando que seus sorrisos lhe trouxessem flores, cores, amores, convites, satisfações.

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