24/10/2008

Medo de verdade

E eu que falava em liberdade e banhos de chuva. Não era tudo mentira. Não! Não era mentira, era verdade. Da maneira mais verdadeira que eu pudesse me expressar.
E eu dizia a verdade, mas continuava com medo de mim mesma. E esse medo, mesmo com incansáveis dias de chuva e liberdade, não me deixa. O medo continua, mesmo que aquela verdade tenha caído no esquecimento. O medo sempre foi lembrado.
Não escapo do medo, mas sempre consigo escapar da verdade temendo que a minha verdade me afogue por causa de tanta chuva.
Sei que mais cedo ou mais tarde tudo enjoa, não é mais novidade nem tentativa, daí passa e eu continuo aqui. Eu e o medo. Porque ele nunca me abandona e nunca me desaponta. É só o medo e ponto. O medo com sua mais sensata forma de me dominar, por mais que eu queira fugir e aproveitar a chuva e o mundo de verdade.
Mas sempre foi melhor assim. Ele me ensinou que, se eu não pego chuva, não fico doente. Porque cada vez que adoeço novamente, a recuperação torna-se mais difícil. Até chegar o dia que eu já não terei mais condições de me recuperar.
Então, apesar de tudo ter sido e tudo ser verdade, o medo sempre tem a última palavra.

2 comentários:

Celso Rondon disse...

O medo nos afasta das derrotas... mas também das vitórias.

Acostumar-se com a mediocridade é sempre uma opção, apesar de eu achar tão mais... derrotista.

Junkie Careta disse...

Seu texto realmente evolui mais a cada dia...
Gostei da forma como a metáfora "chuva" foi usada sem se tornar cansativa.

Parabéns.

se vc tiver um tempinho, passe no Spleen rosa-chumbo, que está devidamente atualizado e falando sobre colocar a culpa no vinho...

Grande abraço