Eu contemplo a lua que desse ângulo parece maior, mais branca e mais intimidante. Se eu tivesse a chave que abre as portas desse cativeiro, correria pela noite ofuscada pelo luar. Quem sabe te encontraria sob as árvores, casualmente à minha espera, fitando um horizonte imaginário. Ficaria parada, sem dizer nada, apenas esperando um abraço, uma palavra, uma certeza. Sem me preocupar com o medo, com os outros, com o tempo, comigo mesma.
Contemplo a lua e quiçá a lua me contemple também no intuito de me ensinar uma lição, ofuscar-me lentamente para que eu desvie dela meu olhar e procure lá em baixo alguém tentando abrir a porta, encontrar a chave. Alguém sem medo dos outros, de mim, do futuro, das certezas.
Mas eu mesma não me encontro. Procuro meu reflexo em todas as formas possíveis de reflexão e me deparo com um vazio infinito que não me diz nada além das palavras presas dentro de mim. Palavras que eu continuo repetindo no meio de todas as metáforas cristalinas que envolvem minha alma. Nada de novo, nada que o mundo já não tenha ouvido, criticado, reprimido. Mesmo que eu tente sozinha, tudo isso não sai de dentro de mim. Às vezes, em momentos de torpor e embriaguez, me esqueço de tudo e vivo o mundo real, deixando de lado essa torre imaginária, tensa, dolorida.
E continuo nas reviravoltas, desunindo parágrafos, fugindo do sentido inicial do luar. Tornando-me cada vez mais repetitiva e insuportável aos meus espelhos que nada refletem. E continuo, continuo, continuo. Abraça-me.
3 comentários:
pena que não pude ve-la hoje senhorita, pois assim poderia terte dado o que tanto pedes e aclamas.
Num pequeno e simples abraço, o sentimento de um ser que apenas lhe quer bem.
Mas preciso ainda "abrir a porta, encontrar a chave".
NOsssssssssssssa
que texto lindo,
vou sempre passar aki no seu blog,
adorei...
visita lá
http://pcsouzabv.blog.uol.com.br/
A última parte de seu texto, original e franca me dá a certeza que vc é talentosa e decididamente não precisa de um psicólogo, talvez de um amor, desses que trás paz e alívio pra alma, pelo menos por um tempo.
Fico realmente feliz que vc goste do "abril despedaçado". Eu, de fato, estava em pedaços quando o fiz.
Recomendo também , escrever, cantar, tocar, compor, transfornar a dor em alguma arte pra desentupir a artéria do coração e desintoxicar a tristeza.
Grande abraço
Postar um comentário