07/11/2008

Torpe

Me procura sem motivo aparente e faz tempestade em copo d'água.
Me apavora, me enlouquece e me envolve numa suposta pretensão.
Me instiga, me irrita, inventa motivos para pensar que pode ser
E depois me alucina parecendo dizer não. Foge.

Passa dias, noites, horas ao meu lado
E me conforta, me acalma, me anima, me faz rir.
Depois desaparece, me esquece, me critica, me entorpece. Confunde.

Se declara, me rejeita, me difama, me orienta
E eu, gramaticalmente incorreta, continuo incoerente, desconexa, envolvida. Adolescente.

Te procuro em tudo, em todos. Não te encontro, não sei quem és.
Imagino, insistentemente, minha vida envolvida, vivida, enrolada nos teus braços, nos teus olhos.
Em filmes, músicas, pássaros e copos de wisky barato me entretenho, me esqueço, me afogo.
Um, dois, três, quatro modos de loucura. Às vezes cinco, muito gelo e um gole. Entorpece.

6 comentários:

Anônimo disse...

eu entendo ;~~
agunia constante, pensamentos frequentes
;~~
não nos aguentamos mais, não quero mais ouvir minha voz!

vamo fugir?

beeeijO!
;*

Renata Pavan disse...

fazia tempo que não aparecia aqui! Texto muito muito expressivo, intenso. Gostei mesmo!

Beijos Lilah!

Dupla Personalidade? disse...

Não é tão simples quanto parece fikdik

EAOUEHROHAOEHROAHOAEHRAUOERHOAU
:D

Carolina Pires disse...

confesso que foi o que eu mais gostei. de todos os teus escritos, esse foi o que mais me surpreendeu, de verdade.

"Um, dois, três, quatro modos de loucura. Às vezes cinco, muito gelo e um gole. Entorpece."

sem comentário pra esse final.

Junkie Careta disse...

Nossa baby, que belo texto...
Final ótimo!

Bjo

Anônimo disse...

De quem foge essa Marília,
o que pensa para chegar ao poço?
Quem te faz tão mal?
Quem te absorve?
Quem despedaça os teus sonhos,
bela flor que por tantas paragens se planta?
Não é a boa terra que deveria te ajudar?
Não é o Agricultor a quem deverias te engregar?
Quem te dá o sol, te dá a chuva,
não deixa de te enxergar?

Deus, que está sempre contigo,
não deixa de te buscar.