19/09/2008

As manchas de vinho no meu vestido...

A sensação de que algo me foi tirado ainda não deixou minha alma. Talvez seja apenas orgulho ferido em saber que não tenho para onde correr nem como me aquecer numa noite chuvosa e friorenta. Mas no fundo mesmo é a sensação de perda instantânea. Foi de repente! Como uma chuva rápida de verão no instante que você pendurou a última peça de roupa no varal. Algo que me abalou intensamente, me deixou sem chão. Não queria estar ainda falando e pensando nisso, pois sei que apenas eu me sinto assim. Mas tento colocar para fora os espinhos que engoli para ver se a sensação apavorante diminui.

Tudo é frio, tudo é lágrima. Nenhum sorriso parece realmente me confortar e nenhuma palavra me abraça da maneira que eu nunca mais serei abraçada. Saber que continuarei esperando como uma criança tola que acredita quando seu pai lhe diz que um dia ela conhecerá a Disneylandia. Isso jamais acontecerá. Se o caso fosse, mil anos seriam a minha espera inútil. Mil anos de silêncio e solidão por saber que meus beijos e abraços jamais fizeram a diferença que eu acreditava fazer, jamais causaram o impacto que eu acreditava causar. Meu mundo de marshmallow derreteu defronte minha torre magnífica, que sempre soube não ser tão magnífica assim.

Daquele livro eu jamais saberei o final e dos teu ohos eu não lembrarei mais da cor, pois sei que eles não me procurarão mais. Daquele vinho não poderei mais sentir o sabor nem calcular por quantos anos ele poderia ficar na minha adega enquanto eu simplesmente o admirava.

Triste é a sensação que me adormece. Quão tola sou! Nem no espelho consigo mais me olhar. E pensar que já senti o mesmo anteriormente e alguém me fez acreditar que seria diferente. E eu simplesmente acreditei. De novo.

E agora, quem mais se habilita a me enganar?!

Um comentário:

Junkie Careta disse...

Nossa baby...
Que comovente...
Acredite,isso passa. Uma hora passa.

Aproveite a dor para fazer textos belos e intensos como este.

e se você tiver um tempinho, estou falando sobre até que ponto se pode querer alguém, em meu último delírio, no spleen rosa chumbo.

Apareça.

Grande abraço