É impressionante a maneira como a torre ganhou forma e espaço na minha vida. Lembro-me de quando ela entrou, apenas um bibelô gelado que mal cabia na palma da minha mão esquerda. Com o passar do tempo foi tomando vida e me dominando completamente até que me encontrei envolta em cristal.
Já foram tantas escapadelas da torre, tantas noites tentando subtraí-la do meu mundo. Tudo foi em vão. Noites gélidas e mal-dormidas foram aprisionando meus sentimentos e tornando-os escravos daquela cadeia cinza de carbono. E aqui estou eu novamente fechando todas as portas e apagando todos os caminhos que levam à torre. Me prevenindo com poções amargas e de brilho azulado, juntando feras para a guarda do meu paraíso cristalino. Não tenho forças para subir todas as escadas de uma só vez então, aconchego-me junto à entrada olhando de relance à silhueta de algo que passou pelos arredores e devastou meu jardim, sem plantar nenhuma flor no lugar.
Um comentário:
meu deus, adorei. figurasses todo o teu sentimento, perfeito. agora entendo por que também precisas de ar. boa sorte pra nós, diria eu.
beijos
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